Ressurreição da vida na Primavera, os símbolos da Páscoa

A Páscoa chega abrindo a primavera, ressuscitando as cores e renovando a esperança. Uma celebração triple que reúne distintas histórias e culturas para celebrar o mesmo evento: o milagre e a dádiva do renascimento! A Páscoa, um evento ao mesmo tempo cristão, judeu e pagão, é um dos mais importantes do ano para a cultura médio- ocidental. Entenda porquê nesse texto!


O nome latino Pascoa (português), Paque (francês), Pasqua (Italiano), Pascuas (Espanhol) é derivado da palavra hebraica Pessach que significa salto, pulo. O salto do próprio Eterno (יהוה) sobre as casas dos filhos de Israel escravizados no Egito (Êxodo 12, 27). É a celebração judaica da passagem da vida de escravidão do povo judeu no Egito para o renascimento de uma nova era, na terra prometida. Um evento normalmente celebrado na lua cheia da primavera.

Nessa mesma época do ano, na era Cristã, ocorreu o evento histórico da ressurreição de Jesus e sua passagem à vida Crística, que desde então é celebrada com muita devoção pelos cristãos. Coincidências à parte, ambos eventos religiosos se passam no início da primavera, quando os povos pagãos originários da Europa festejavam o renascimento da vida através do culto à terra, a deuses e deusas da fertilidade, para que pudessem merecer a abundancia das próximas colheitas no novo ciclo agrícola que se reiniciava.


Como todas as festas importantes, a pascoa é uma sobreposição de diferentes camadas (Othmar Keel). A Páscoa marca uma transição, uma passagem da morte à vida, do medo à esperança. É um retorno da fecundidade após a escassez do inverno ( Michel Serres ).

À origem é uma festa da primavera, o que toca a maior parte do mundo. O inverno se vá, as flores voltam e se torna agradável passear á fora. Em seguida, há a camada judaica, que celebra a partida do Egito, depois a camada cristã, que se refere à vida após a morte.” Othmar Keel, professor emérito dos estudos do Antigo testamento da Universidade de Fribourg, Suiça, em entrevista à revista digital SWI swuissinfo.ch.


Ao contrário da sua denominação latina, a Páscoa é chamada pelos anglo-saxões de Easte, no inglês e Oesten no Alemão, palavras que se referem ao Leste, aonde nasce o sol, fazendo referência à aurora do ano, ou seja, à primavera, mantendo viva a origem pagã desse festejo ocidental. A partir disso, podemos compreender os símbolos da Páscoa e suas raízes ancestrais e em seguida fazermos nosso próprio ritual de passagem, com consciência e uma prece verdadeira, no lugar de simplesmente reproduzir costumes transmitidos por uma história desconhecida.


O coelhinho, o ovo, símbolos cristãos ou pagãs?




Quem nunca se perguntou porquê os ovos de pascoa eram trazidos por coelhos?

A resposta não é lógica, e sim permeada de mitos.


Conta-se que Ostara, uma Deusa Celta, anunciou sua visita à floresta no início da primavera. Todos os animais prepararam-lhe presentes para agradá-la. Os mais abastados ofereceram jóias, tecidos e outras raridades valiosas. A pobre lebre nada tinha para oferecer, no entanto, percorreu toda a floresta na esperança de encontrar algo para ofertar à sua Deusa. Ela encontrou, pois, um ovo perdido, o tomou e entregou-lhe com humildade e muita devoção. Ostara sentiu a genuinidade do gesto da lebre e adotou-a como seu animal preferido. Desde então a imagem de Ostara é acompanhada de uma lebre e ovos que representam as qualidades de seu arquétipo: fertilidade, amor e reinício da vida.


O Coelho


Na versão católica, o coelho domesticado toma o lugar da lebre selvagem, mas a simbologia se mantém nas entrelinhas.

A lebre, assim como o coelho, é um animal muito fértil, que se reproduz muito rápido, cheio de energia, como a primavera que ativa a fertilidade nos campos, na terra e nas florestas. Seus ciclos reprodutivos são curtos, ela é uma espécie que morre e renasce rapidamente, como a lua. Então a lebre era considerada antigamente como um símbolo de fertilidade e imortalidade. Na lenda ela aporta um ovo à Ostara como presente, que contém o elo entre o fim e o começo da vida e todas as potencialidades da criação.


O Ovo


Em inúmeras religiões e cosmologias de diferentes partes do mundo, o ovo é um símbolo de vida, começo, infinitas possibilidades. Ele também representa a força impulsionadora de vida que faz o pintinho romper suas barreiras físicas para nascer, assim como as plantas, os animais, a terra e os seres humanos estão fazendo após o longo período de escuridão. O ovo representa o útero do Universo, onde se guarda todo o potencial da criação e contém a força do ciclo de morte e renascimento. O ovo é a representação do poder criativo que reside na unidade das polaridades masculina e feminina, é o encontro da luz e da escuridão, do interior e exterior, assim como o equinócio de Primavera, onde ainda temos o equilíbrio entre dia e noite, entre a morte e a vida, entre o passado superado e o futuro prometido.

Resumindo, distribuir ovos de Páscoa guardados por um coelho significa permitir que energia da fertilidade espalhe sementes, cores e alegrias, realizando sonhos, manifestando realidades. Tudo aquilo que esteve que esteve sendo gestado nas raízes internas de nossos corações/úteros na fase feminina do ano, passa a ganhar visibilidade e concretude externamente, na fase solar do ano.


Ostara, a Deusa Aurora da primavera





Ostara não é um Homem sábio, nem um grande líder. Tampouco é um evento político, histórico e religioso. Ostara é um arquétipo feminino que surge a cada ano nos presenteando com uma força diferente, fresca, juvenil e criativa que nos convida a renascer o melhor em nós e a dançar com as flores. E isso não faz dela menor nem menos importante. Em um mundo ocidental erguido pela energia masculina, lembrar, honrar e reconhecer o outro lado da polaridade que é igualmente responsável pela vida, não deixa de ser um ato heroico/político que lidera com sabedoria um novo momento da consciência humana.


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